Os Santos Anjos

Anjo

Seres que mais se assemelham a Deus

A existência dos anjos é dogma de fé confirmado por vários Concílios, pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja que os apresenta nos escritos dos Santos Padres e dos Santos doutores.

O primeiro Concílio Ecumênico, que confirmou a existência dos seres espirituais, foi o de Nicéia, em 325, quando fala “dos seres invisíveis” criados por Deus. O Magistério da Igreja confirmou a realidade dos anjos no Concílio de Latrão IV (1215), ao declarar contra o dualismo dos hereges cátaros: “Deus é o Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, espirituais e corporais; por sua onipotência, no início do tempo, criou igualmente, do nada, as criaturas espirituais e corporais, isto é, o mundo dos anjos e o mundo terrestre; em seguida criou o homem, que, de certo modo, compreende umas e outras, pois consta de espírito e corpo. O diabo e os outros demônios foram por Deus criados bons, mas por livre iniciativa tornaram-se maus. O homem pecou por sugestão do diabo.” (DS 800 [428]).

São Paulo ensinava em sua primeira Carta aos fiéis de Colossos: “Nele, foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e invisíveis, Tronos, Dominações (ou Soberanias), Principados, Potestades (ou Autoridades): tudo foi criado por Ele e para Ele”. (Cl 1, 16)

O Catecismo da Igreja afirma, sem hesitação, a existência dos anjos: “A existência dos seres espirituais, não-corporais, que a Sagrada Escritura, chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição” (§ 328).

O Papa Pio XII, na sua encíclica Humani Generis (1959), reafirmou que os anjos são “criaturas pessoais”, dotadas de inteligência sagaz e vontade livre (DS 3891).

São Gregório Magno, doutor da Igreja (540-604) dizia que “cada página da Revelação escrita atesta a existência dos Anjos”. A presença e a ação dos anjos bons e maus estão a tal ponto inseridas na história da salvação, na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, que não podemos negar a sua existência e ação, sem destruir a Revelação de Deus. Eles são mencionados mais de 300 vezes na Bíblia.

O Catecismo lembra que “Cristo é o centro do mundo angélico” (§ 331). Eles pertencem a Cristo, porque são criados por Ele e para Ele, como disse São Paulo (cf.Cl 1, 16).

O Catecismo nos ensina ainda que: “Ainda aqui na terra, a vida cristã participa, na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus” (§ 336).

Os anjos são servidores e mensageiros de Deus, como diz o salmista: poderosos executores da sua palavra, obedientes ao som da sua palavra (Sl 103,20).

Jesus disse que os anjos dos pequeninos contemplam, “constantemente, a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10), e a Igreja viu aí uma alusão ao Anjo da Guarda, guardião do corpo e da alma dos homens, cuja Festa celebra, liturgicamente, no dia 2 de outubro, desde o século XVI, universalizada pelo papa Paulo V, depois que Leão X, em 1508, aprovou o ofício composto por João Colombi.

Muitas coisas São Tomás deixou escritas sobre os anjos. Também Santo Agostinho e outros santos doutores.

Santo Agostinho afirmou que: “Só conheceremos a natureza dos anjos de modo perfeitamente claro, quando estivermos, para sempre, unidos a eles na posse da bem-aventurança eterna” (Enchiridion, cap. 58).

Para São Tomás, a criação dos anjos, os seres que mais se assemelham a Deus (puros espíritos), é necessária para a perfeição do universo. Os anjos possuem o intelecto superior ao dos homens, que, neste caso, depende dos sentidos. Para o anjo, o intelecto puro pode compreender as realidades sem a necessidade dos sentidos. Em outras palavras, o anjo pode intuir, conhecer, sem precisar raciocinar.

Sobre essa maneira de conhecer as realidades, São Tomás ensina que: “O intelecto angélico é um verdadeiro quadro pintado ou melhor ainda, um espelho vivo que o anjo precisa apenas contemplar para conhecer as coisas naturais deste mundo” (De Veritate, questão 8, e 9).

Os Concílios de Latrão IV e Vaticano I afirmaram que: “Deus, com sua virtude onipotente, no início dos tempos, simultânea e igualmente, criou uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, a angélica e a material e depois a humana; esta, composta de espírito e de corpo”.

Os anjos, por seu intelecto muito mais perfeito do que o nosso, podem prever certos acontecimentos futuros que dependem de leis físicas, que eles conhecem; é o que ensina São Tomás. Podem mesmo prever acontecimentos que dependem de leis naturais, como os fenômenos meteorológicos, mortes, destruições de cidades, fome, epidemias, etc. Isto não quer dizer que o anjo seja onisciente (sabe tudo); é apenas fruto do entendimento mais penetrante que ele tem das coisas; mas não pode pressupor um acontecimento imprevisível.

O mesmo se pode dizer dos demônios. Eles só podem conhecer os fatos futuros desde que as causas que o determinam existam e não possam ser impedidas por outras, ou provocadas por ações de vontades livres.

São Tomás afirma que só por uma revelação especial de Deus os anjos podem conhecer o futuro que dependa de uma vontade livre ou de uma causa fortuita (causa que não depende de leis naturais).

Segundo São Basílio Magno, doutor da Igreja (330-369): “Os anjos não foram criados como crianças imperfeitas, que aos poucos foram se aperfeiçoando pelo exercício, de tal forma que se fizeram dignos e receber o Espírito Santo. Ao contrário, desde o primeiro instante de sua existência, juntamente e em conjunto com a sua substância, receberam a santidade, isto é, a Graça Santificante (In Psalm., homilia 32,4).

Santo Agostinho diz que: “Deus criou os anjos dando-lhes a natureza e infundindo-lhes ao mesmo tempo a Graça” (A Cidade de Deus; lv.XII, 9,9).

São Tomás, sobre a perfeição dos anjos, ensina na Questão LXII da sua Suma Teológica, entre outras coisas que: “O anjo, tão logo realizou o primeiro ato de caridade (amor a Deus), mereceu a bem-aventurança e tornou-se, imediatamente, bem-aventurado”. (Art. V)

“É razoável supor-se que os anjos receberam os dons da Graça e a perfeição da bem-aventurança, de acordo com o grau de sua perfeição natural”. (Art.VI )

“Os anjos bem-aventurados não podem pecar” (Art. VIII). “Os anjos bem-aventurados não podem aumentar o merecimento nem progredir, quando já na bem-aventurança” (Art.IX).

Com relação ao lugar onde o anjo se encontra, São Tomás ensina, na Questão III da Suma Teológica, o seguinte: “Os anjos não estão em um lugar, tal como os corpos, isto é, de uma maneira própria e circunscritiva, mas de uma maneira que transcende o lugar” (Art. I).

A Igreja conhece o nome dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, cuja festa litúrgica é no dia 29 de setembro.

Os Anjos participaram ativamente na vida de Jesus, desde o anúncio de sua concepção no seio da Virgem Maria até a sua Ascensão ao Céu. E Cristo voltará com eles em sua glória no fim da História.

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